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Julho Verde promove prevenção e conscientização do câncer de cabeça e pescoço

Julho Verde promove prevenção e conscientização do câncer de cabeça e pescoço

Celebrado no dia 27 de julho, o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), vem há 50 anos buscando o melhor para a prevenção e tratamento da doença. Considerando essa perspectiva, durante todo o mês de julho, a sociedade proporciona atividades de conscientização e informação no combate a este tipo de câncer.

Em apoio à campanha da Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG), que tem por iniciativa estimular a prevenção “boca a boca”, sendo a boca um dos alvos da doença, e dela deve sair a mensagem de alerta, a SBCCP e seus institutos parceiros chamam a atenção de toda a população para a importância dessa prevenção e a urgência de implementação de políticas públicas por parte das autoridades de saúde.

A infecção pelo papilomavírus (HPV) tem contribuído, nos últimos anos, com o aumento na incidência desta doença, segundo a SBCCP. “A infecção pelo HPV é um importante fator de desenvolvimento do câncer de faringe. Uma das formas de contágio por essa infecção é por meio da prática do sexo oral e em pessoas com múltiplos parceiros sexuais”, explica o cirurgião de cabeça e pescoço Fernando Walder, presidente da SBCCP.

São cerca de 41 mil novos casos anualmente, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Trabalhos brasileiros demonstram que cerca de 7% da população pode ter infecção pelo HPV detectada na boca. “O número parece pequeno, mas em um contexto de 200 milhões de pessoas, esse percentual representa cerca de 14 milhões de indivíduos em risco de desenvolver a doença no Brasil”, explica o cirurgião de cabeça e pescoço Leandro Luongo de Matos, membro da SBCCP.

Em prol dessa ação, a proposta é utilizar a cor verde e a hashtag #julhoverde para disseminar a informação sobre o tema e atingir o maior número possível de pessoas, com ações na internet, redes sociais e nas ruas.

Fique alerta!

O diagnóstico precoce e o rápido início do tratamento são fundamentais para a cura do câncer de cabeça e pescoço. Um dos principais problemas para o tratamento é o diagnóstico tardio, que ocorre em 60% dos casos, deixando sequelas no paciente.

Segundo levantamento do Inca, o câncer de boca, laringe e demais sítios é hoje o segundo mais frequente entre os homens, atrás somente do câncer de próstata. Nas mulheres, prepondera o câncer da tireoide, sendo o quinto mais comum entre elas.

Outro alvo também atinge fumantes e pessoas que fazem uso frequente de bebidas alcoólicas. Porém é cada vez mais frequente o diagnóstico da doença em indivíduos jovens (menores que 45 anos), sem a exposição a estes fatores, com tumores originados pelo HPV.

Os tumores de cabeça e pescoço são uma denominação genérica do câncer que se localiza em regiões como boca, língua, palato mole e duro, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe (onde é formada a voz), esôfago, tireoide e seios paranasais.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Pesquisa desmistifica atendimento odontológico em pacientes portadores do vírus HIV

Pesquisa desmistifica atendimento odontológico em pacientes portadores do vírus HIV

Um estudo realizado na USP contribuiu para desmistificar atendimento odontológico em pacientes portadores do vírus HIV. Hoje, além de estarem mais longevos, estão apresentando menos doenças bucais oportunistas, que se aproveitam da baixa na imunidade causada pelo vírus.

A pesquisa foi feita no Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (Cape) da Faculdade de Odontologia da USP (Fousp) e auxiliou Cirurgiões-Dentistas na realização de procedimentos adequados e na avaliação de comorbidades (existência de doenças simultâneas) que podem afetar o manejo clínico odontológico.

Orientada pela professora Marina Gallottini, coordenadora do Cape, o trabalho de Maria Fernanda Bartholo Silva foi feito com base em exame e entrevista de 101 pacientes com HIV do centro de atendimento durante os anos de 2016 e 2017. O levantamento também objetivava atualizar informações e compará-las com as obtidas em outra pesquisa semelhante que havia sido feita pelo Cape em 2006.

O estudo mostrou que, devido ao maior acesso às terapias antirretrovirais altamente difundidas na década de 90, houve um aumento da longevidade das pessoas com Aids, que passaram a apresentar incidência cada vez menor de doenças oportunistas bucais. Dos entrevistados (a maioria homens), todos usavam a terapia antirretroviral potente (HAART, sigla em inglês) e grande parte relatou ter sido contaminada via contato sexual havia mais de dez anos. Muitos apresentaram lipoatrofia facial, ou perda de gordura subcutânea do rosto (32%), seguida por xerostomia, ou boca seca (29%), e aumento de glândulas salivares (11%), mas sem incidência de doenças bucais oportunistas graves. Em relação ao estudo de 2006, houve um aumento do número de pacientes com doenças metabólicas – pressão alta, alterações de colesterol, triglicérides e glicemia.

O uso de medicamentos antirretrovirais tem se mostrado eficaz porque as drogas preservam a imunidade do paciente, melhoram a qualidade de vida e reduzem as chances de transmissão do vírus HIV. No entanto, efeitos adversos desses medicamentos surgem quando são utilizados por longo prazo. É o caso da lipodistrofia, que resulta na má distribuição da gordura no corpo, principalmente nos braços, pernas, face e nádegas. Já em relação às manifestações de lesões oportunistas bucais, as terapias antirretrovirais têm diminuído a incidência destas entre os pacientes infectados, como é o caso da candidíase oral e da leucoplasia pilosa (placas esbranquiçadas na borda lateral da língua).

Dadas as inter-relações entre saúde bucal e saúde geral do paciente infectado, que envolvem a maioria dos sistemas de órgãos, muitas doenças podem afetar o manejo odontológico, relata Marina. “A boca pode ser a sede de uma série de alterações relacionadas direta ou indiretamente com a infecção pelo HIV.” A consideração de comorbidades é importante na prestação de cuidados odontológicos porque os indivíduos infectados podem apresentar condições de saúde mais complexas. Dessa forma, avalia Marina, é necessário conhecer as comorbidades, para que os profissionais de Odontologia verifiquem a necessidade de modificações no tratamento dentário.

Segundo Marina, as alterações sistêmicas encontradas pela pesquisa não limitam o atendimento odontológico ambulatorial, embora a pesquisadora recomende que sejam solicitados exames, como hemograma, CV (carga viral) e o CD4 (que determinam a quantidade de linfócitos no sangue), antes de iniciar o tratamento para avaliar a saúde do paciente. Marina acredita que compartilhar essas informações com a comunidade de Cirurgiões-Dentistas brasileiros vá contribuir para a inclusão desse perfil de paciente na assistência odontológica pública e privada.